
Esses dias meu pai colocou um CD das antigas e tinha uma música com uma letra lindíssima. Não tem como não me colocar no lugar dos meus ancestrais nordestinos que comeram o pão que o diabo amassou. Meu avô chegou no porto de Porto Alegre com 17 anos, meia dúzia de pratas na mão, dois ou três fios de cabelo de barba e um coração transbordando de sonhos. Jogou uma das poucas moedas que tinha no lago Guaíba pra dar sorte, suspirou e pisou firme em solo gaudério. Segue abaixo o link com a música no youtube e a letra:
Flor da Paisagem - Raimundo FagnerTeu zói é a flor da paisagem
Sereno fim da viagem
Teu zói é a cor da beleza
Sorriso da natureza
Azul de prata, meu litoral
Dois brincos de pedra rara
Riacho de água clara
Roupa com cheiro de mala
Zóim assim são mais belos
Que renda branca, que renda branca, que renda branca na sala
Quem vê nêo enxerga a praia
Nóis no lençol, nóis no lençol , nóis no lençol de cambraia
Teus zói no fim da vereda
Amor de papel de seda
Teus zói que clareia o roçado
Reluz teu cordão colado
que renda branca na sala ...
nóis no lençol, nois no lençol ...
de cambraia!
Message
20:37
| Author:
Baile Átha Cliath
I promissed myself at the end of my time in Dublin and afterwards to my good friend Smaro in Spain that I would write down a post in english to be read by all of my friends around the world. I know it might sound too dramatic, but it really means something to someone like me from south Brazil to leave this text written as a conexion of somehow. Most of my friends from abroad are Europeans and they are used to get in touch with people from other countries a lot more than I do. It wouldn't be fair trying to name every meaningful experience I had that brought me huge amounts of knowledge. I can only be thankful to all the people I met and somehow changed my point of view in so many different subjects - making me a better person than I was.
I've posted this piece of text before in this blog. But once again I'll paste it here because I find it beautiful - it was told by Balint, a Hungarian friend of mine:
"If you are someone that have never travelled before, you´ll probably find your hometown the best place in the world, and wouldn´t be able to call anywhere else in the world your home.
And then you decide to get yourself a little adventure to broaden your horizons by going to another city in another country. Time passes by, you feel ups and downs, but in the end you find that place good enough and set it as a place you could call your home as well.
Once again you get to know other places and, through the same process, you end up putting this new place in your list of places you could call home.
It happens over and over again and then you finaly realize that it doesn´t really matter where you go but how good you feel about yourself. Because you are your home, your body is your home, the home of your mind/soul. So as long as you know yourself and are satisfy about yourself you´ll be fine wherever you go".
Miss you all, see you around!
Nesses dias de ócio que tive em janeiro, incluindo meu subaproveitamento no escritório onde comecei a trabalhar, comecei a compilar textos que eu tinha escrito a fim de montar uma linha de raciocínio suficientemente persuasiva. Estou na reta final da leitura do livro do Naredo onde tenho encontrado inspiração de sobra pra falar sobre temas tão importantes como sustentabilidade, economia, sistema econômico e etc. É uma pena que não existam muitos autores tão revolucionários como ele ou que minha ignorância me impeça de conhecer mais referências, de qualquer maneira, segue abaixo um texto que acho bastante interessante de autoria própria. Bebi muito na fonte do Naredo, o que pode deixar o texto bastante parcial, mas definitivamente ele não foi a única fonte e acho que estou no caminho para encontrar um meio termo saudável sobre o tema.
As palavras crescimento e desenvolvimento são comum e propositalmente confundidas. O
crescimento é uma medida que leva em consideração apenas a variação percentual do PIB/
faturamento de um país/empresa de um período a outro anterior – geralmente analisado
anualmente. O PIB/faturamento é a soma das riquezas produzidas por um país/empresa
em um determinado período de tempo. O desenvolvimento, por outro lado, é um conceito
muito amplo e complexo. Leva em conta fatores sociais, por exemplo. Um país pode ter
crescimento real em termos de PIB de um ano para outro e apresentar um menor grau de
desenvolvimento, por exemplo. Isso poderia acontecer no caso de uma piora na distribuição
da riqueza, em que poucos teriam acesso a esse maior volume de riqueza e grande maioria
ficaria condenada a dividir migalhas cada vez menores. Fazendo uma analogia ao caso da
empresa, considerando o faturamento constante desta ao longo de alguns anos, neste período
de tempo poderia ocorrer uma melhor produtividade oriunda de políticas de coesão e sinergia
do grupo, ou uma melhora nas condições de trabalho através da instalação de um ventilador
de teto/cadeiras mais confortáveis e assim por diante. Não significando um aumento no
faturamento uma melhora nas condições de trabalho. A cultura brasileira é diversa por
natureza. Temos todas as cores, odores e dores possíveis representadas na nossa sociedade.
Mas porque insistimos em sermos referência no quesito diversidade socioeconômica? Temos
desde o mais miserável até o mais rico, sendo o caminho entre estes separado por uma
parca classe média. Delfin Neto, ex-ministro da fazenda do Brasil é um dos responsáveis por
este desastre. Quando, na década de 70, tivemos um grande aumento na riqueza do país
(com taxas superiores a de países como Japão, por exemplo) ele propôs a idéia de que é
preciso “fazer o bolo crescer para depois dividir”. O bolo cresceu, hoje em dia é o sexto maior
bolo do mundo, mas a promessa da divisão ficou esquecida.
É recorrente e sistemática a idéia de que o crescimento é necessário – isso é manifestado
insistentemente pelos nossos representantes como a presidente da república, mas será que
sendo a sexta maior economia do mundo precisamos nos preocupar tanto com esse fator?
Na declaração da presidente Dilma Rousseff feita na primeira quinzena do mês de setembro
em São Paulo: “A melhor forma de resistir à crise é não ficar de braços cruzados, não nos
atemorizar, mas continuar consumindo, produzindo, investindo em infra-estrutura, plantando,
colhendo e assegurando às nossas indústrias o seu componente nacional”. Ou seja, a noção
de desenvolvimento está intimamente relacionada com a idéia de consumo. Essa conclusão é
sustentada pela declaração de Victor Lebow (1955):
“nossa economia tremendamente produtiva exige que
façamos do consumo nosso modo de vida, que convertamos
a compra e uso de produtos em rituais, que busquemos no
consumo a satisfação espiritual e do ego”.
Que tal se optarmos pelo desenvolvimento e deixarmos de lado um pouco essa babilônia
que é o crescimento. Uma política de desenvolvimento que refletiu positivamente tanto na
área social quanto econômica foi a distribuição de bolsas pelo governo federal como no Bolsa
Família. Essa política colocou comida na mesa de pessoas que passavam fome e as incluiu
no mundo do consumo, ainda que de maneira precária. Os reflexos foram a criação de uma
demanda interna que atenuou os efeitos da crise financeira internacional – com a crise, houve
uma diminuição nas exportações para muitos países, que foi parcialmente compensada por
este novo mercado de consumidores. Seria então a resposta para os problemas o incentivo
ao consumo? Sim, pelo menos é isso que a mídia e nossos representantes nos comunicam
todos os dias através de declarações e ações como a redução no IPI para automóveis, redução
da taxa básica de juros entre outras medidas. Seguindo esta lógica, podemos relacionar o
crescimento com a expansão do consumo que, por sua vez, supõe um aumento de produção
– que geraria mais empregos, giro de capital e etc. Parece que esta teoria está redondinha,
formulada para o sistema capitalista que vivemos. O sucesso deste sistema consistiria no
constante crescimento dessa geração de riqueza, se todos os países do mundo crescessem
10% ao ano pelos próximos 40 anos, provavelmente os partidos de esquerda e correntes
mais sociais seriam praticamente extinguidas por falta de argumento ante o grande êxito do
capitalismo.
A seqüência de acontecimentos e conseqüências oriundas de um aumento no nível
de consumo de uma determinada população fazem parte de um conjunto de conhecimentos
amplamente difundidos na teoria econômica. Esta teoria está amparada por modelos que se
utilizam de uma simulação de ocorrência ideal, com todas as demais variáveis constantes, para
explicar determinado padrão de resposta a um estímulo – Ceteris Paribus.
Do ponto de vista de um consumidor, o aumento de sua própria demanda (leia-se
consumo), representa um aumento no seu bem estar. No caso da compra de um automóvel,
por exemplo, o indivíduo pode começar a ir ao trabalho de carro sempre que estiver
chovendo, ou fazendo muito frio, calor entre outras condições adversas. Da mesma forma,
uma valorização cambial da moeda local de um determinado país, em geral é entendida como
um evento negativo do ponto de vista econômico, na medida em que a produção nacional
perde competitividade de preço a nível internacional, gerando desemprego e piora no bem
estar geral da sociedade. No entanto, dependendo do ponto de vista, um evento desta
ordem pode representar geração de bem estar para indivíduos ou determinados grupos de
indivíduos: Com o preço de produtos importados mais em conta, há quem possa comprar
máquinas, contratar serviços, comprar livros e uma série de outros bens/serviços do exterior e,
dependendo da aplicação destinada a este recurso, gerar retornos proporcionalmente maiores
para a comunidade local no longo prazo – uma máquina com tecnologia menos poluente,
um serviço de consultoria para melhorar a gestão, um livro que traz um maior conhecimento
sobre um determinado assunto culminando em uma maior produtividade e etc.
Do ponto de vista do produtor, um aumento no nível médio de demanda representa:
uma maior produção, diminuição de custos por unidade, eventual aumento de margens,
maior necessidade de mão de obra, maiores perspectivas de investimento e etc. O mais
interessante é constatar o efeito deste aumento de nível de consumo para o setor público.
Neste caso, há uma diminuição na prestação de serviços sociais (como seguro desemprego,
bolsas de ações positivas e outros), maior arrecadação com INSS, maior arrecadação com
impostos que incidem sobre o consumo (como o ICMS), maior arrecadação nos impostos sobre
o faturamento das empresas (IRPJ), maior arrecadação nos impostos sobre a renda dos novos
trabalhadores (IRPF), menores taxas de desemprego, maior nível de estabilidade social, criação
de cenário propício ao investimento (convertendo parte do capital especulativo em capital
produtivo) entre outros.
A questão que fica é a seguinte, é possível que todos os países do mundo cresçam
desta maneira indefinidamente? Não. Vivemos em um mundo com recursos de natureza
limitada, como atuar então em um sistema que supõe o crescimento e o uso infinito destes
recursos? Esta foi a grande pergunta introduzida pelo Informe de Meadows, elaborado pelo
MIT (Massachusetts Institute of Technology) com grande influencia de Donella Meadows e
encomendado pelo Clube de Roma. O informe, publicado em 1972 e intitulado “Os limites do
crescimento”, foi um dos primeiros documentos a tratar da questão ambiental e abordava
justamente da necessidade de troca de paradigma econômico a fim de evitar uma situação
de saturamento da utilização dos recursos terrestres. Uma vez, logo após a independência da
India, um jornalista perguntou a Ghandi se o novo país pretendia alcançar o nível de vida da
antiga matriz. Ghandi respondeu: “Se foi necessário para a Inglaterra que explorasse 40% da
terra para conseguir chegar neste padrão, quantos planetas seriam necessários para a India?”
Para explicar este fenômeno, o projeto “The Story of Stuff”¹¹ faz uma abordagem
diferente. Afirma que vivemos em um mundo onde a produção tem uma lógica linear
(diferente dos demais ciclos da natureza, que são circulares), onde a ordem de acontecimentos
é: Extração de matéria prima, processamento, distribuição, consumo e descarte. Ou seja,
os recursos não voltam ao lugar de onde foram retirados nas mesmas condições nem são
reciclados.
A mensagem principal é a mesma, não podemos viver com um sistema de produção
linear em um mundo com recursos finitos. Os EUA representam mais ou menos 5% da
população mundial e consomem aproximadamente 30% dos recursos.
A proposta do projeto é desenhar um sistema de produção circular, onde os recursos
fossem reutilizados ou devolvidos para a natureza em seu estado original.
Tendo em conta as considerações feitas acima, estão nossos governos atuando de
forma a garantir nossa perpetuação de maneira sustentável no mundo? Não. A resposta é
curta. Os interesses do capital se sobrepõe aos interesses comuns da sociedade. O governo é
instrumento de manutenção do Status Quo utilizado pelo capital. Infelizmente o que motiva
a eleição dos nossos líderes é a promessa por condições de vida mais ricas e não as causas
ambientais.
O sistema no qual vivemos é linear, significa que existem as seguintes etapas: Extração,
produção, distribuição, consumo e descarte. Nossa economia assim funciona. Mas através
desta e outras evidências, verificamos um grande distanciamento entre e economia e a
ecologia. Todas as etapas da natureza são cíclicas, tudo de uma forma ou de outra retorna
a um estágio inicial, como a chuva, as estações, as eras e etc. Este distanciamento entre
economia e ecologia começou junto com a idéia de produção. Antes da idade média, o valor
das coisas era diretamente proporcional a terra, a natureza. Um terreno, por exemplo, valia
um kilo de ouro. Caso uma pessoa quisesse fazer a compra de um terreno (de determinadas
proporções) necessitava dar em troca este kilo de ouro, por exemplo. Com a idéia de
produção e de valor agregado, algumas pessoas começaram a introduzir o seu trabalho em um
determinado capital/matéria prima para que este valesse mais. Um joalheiro, por exemplo,
poderia usar este kilo de ouro para fazer 100 anéis. Com o valor agregado aos anéis, cada um
deles, passou a valer este mesmo terreno que valia 1 kilo de ouro, ou seja, houve criação de
valor, de riqueza. Esta primeira etapa de distanciamento entre economia e ecologia não gerou
um impacto muito grande em termos ambientais porque a demanda, nos tempos da idade
média, era proporcional a necessidade das pessoas e não ao consumismo. Ou seja, um cidadão
normal, usava um par de calças até que estes ficassem inutilizáveis. Só então encomendaria
um novo par junto a um alfaiate. E assim por diante com a maioria das coisas que necessitava.
A revolução industrial que gerou a necessidade das pessoas consumirem e não ao contrário.
Quer dizer que não havia uma demanda latente reprimida das pessoas que foi solucionada
pelo avanço tecnológico, mas sim, após a revolução industrial houve a criação de um mercado
consumidor para dar vazão aos bens gerados. Será que somos mais felizes agora com 10 pares
de calça do que quando tínhamos 1?
A finalidade última do estado, segundo Aristóteles, é alcançar a felicidade humana.
Nesta perspectiva, caberia ao estado oferecer aos seus cidadãos o bem e as condições
necessárias para que isso fosse possível. A idéia de que esta meta possa ser alcançada com o
desenvolvimento econômico é aceita, e os governos em geral utilizam este instrumento para
lograr mais estabilidade social e em última análise, a felicidade.
No entanto, sucesso econômico nem sempre significa felicidade de uma determinada
população. É conhecida, por exemplo, a posição de liderança nos rankings² de suicídio
por parte de países escandinavos como Suécia e Finlândia, bem como países com alto
nível de desenvolvimento como Japão e Coréia do Sul. Outro ranking que se mostraria
contraditório, seguindo este lógica, seria o ranking da felicidade³. Muito embora existam
países com alto grau de desenvolvimento encabeçando a lista, existe a presença de países em
desenvolvimento como Brasil, Costa Rica, México e Turcomenistão que estão entre os vinte
primeiros.
Sendo assim, ao estado não se reserva apenas a função de prover a população de
educação, saúde, saneamento básico, segurança e etc. Mas agir e regular de forma ativa a
economia promovendo, no conjunto destas duas dimensões, o bem estar dos cidadãos –
felicidade.

Confesso que fiquei decepcionado com a minha produção textual na Espanha em termos de quantidade. Ler e reler as minhas peripécias na ilha da magia - que foram devidamente registradas - são sempre uma reedição do que aconteceu. Recordar é viver.
Seria injusto me propor a tentar registrar tudo o que aconteceu no tempo que eu estive lá agora, na frieza da distância, com os acontecimentos todos já "digeridos" e processados... O que sim posso fazer é tentar avaliar o que já aconteceu, com a vantagem de não ter o fator "calor da hora" pressionando.
Continuo com a opinião de que "navegar é preciso". Tenho, ultimamente, tido contato com pessoas que questionaram a importância de se fazer uma viagem. São pessoas das quais eu realmente tenho um grande apreço e respeito a opinião. Mas neste caso, sinto muito! Há coisas que de fato só se aprende viajando, é um tipo de conhecimento valioso pela sua parca acessibilidade. Cada pessoa tem suas experiências e cada uma delas traz um aprendizado distinto. Me sinto muito satisfeito com as coisas que aprendi viajando, sendo o conhecimento adquirido através de pessoas disparado como o mais importante e volumoso.
Seria injusto e simplista listar nomes de pessoas que de fato fizeram uma grande diferença e mudaram a minha maneira de pensar drasticamente. Vou apenas registrar o que o Balint me disse antes de voltar para o Brasil de Dublin. Só fui tentar passar o que ele disse pro inglês uns 3 anos depois de ele ter me dito, então não reproduz exatamente as suas palavras:
"If you are someone that have never travelled before, you´ll probably find your hometown the best place in the world, and wouldn´t be able to call anywhere else in the world your home.
And then you decide to get yourself a little adventure to broaden your horizons by going to another city in another country. Time passes by, you feel ups and downs, but in the end you find that place good enough and set it as a place you could call your home as well.
Once again you get to know other places and, through the same process, you end up putting this new place in your list of places you could call home.
It happens over and over again and then you finaly realize that it doesn´t really matter where you go but how good you feel about yourself. Because you are your home, your body is your home, the home of your mind/soul. So as long as you know yourself and are satisfy about yourself you´ll be fine wherever you go".
"Quando tu mora na tua cidade tu existe, quando tu viaja tu vive". Valentine Nion, 2011
Mochilão
00:21
| Author:
Baile Átha Cliath

Eu tinha muito solenemente prometido que meu primeiro post após a ida para o mochilão em 2009 seria sobre o mesmo, peidei na farofa. Felizmente achei uma desculpa boa para essa falha.
Ao invés de ficar importunando vocês com detalhes irrelevantes como a cor da maçaneta da porta do hostel em Brugge, vou poder escrever de forma muito mais objetiva e imparcial, os FATOS principais a respeito da viagem. Sem que a emoção da hora me faça esquecer de algum highlight ou pontuar demais alguma situação não tão importante.
Essa foi de longe a experiência mais construtiva da minha vida. O que eu aprendi viajando não se ensina em lugar nenhum. Uma das coisas que mais gostei foi sentir que to pronto pro mundo, pode mandar que eu mato no peito. Em 3 cidades, Budapest, Praga e Lubjana, chegamos entre as 9h30min às 11hs da noite sem ter a mínima noção de como fazer para chegar na nossa acomodação (nossa, minha e do André – grande mestre e companheiro de viagem). Tivemos que nos virar usando transporte público em cidades onde taxistas/motoristas de ônibus entre outros não falam uma palavra de inglês. Caminhamos em Budapest uns 40min com todo o peso das mochilas nas costas porque descemos muito antes do BUS, fizemos mimicas e apontamos diversas vezes para o nome da rua onde tínhamos que chegar em Lubjana, ligamos de telefone publico em Praga porque chegamos na casa do nosso couchsurfing e ela não estava lá, foram vários os perrengues para que tudo desse certo no final!
Vou falar um pouco sobre a chegada em Praga porque foi muito legal, ao longo do ano vou aprofundando outas peripécias.
Chegamos de trem na estação central de Praga e já era noite. Noite fechada. A estação parecia com a rodoviária de Porto Alegre, talvez ainda pior. Era obra e concreto velho pra tudo que era lado. Encontramos uns mochileiros na saída da ”rodoviária”, o que em circunstâncias normais seria algo muito positivo, só que eles estavam indo para o centrão (onde ficam os hostels) e nós indo para a estação de Nové Budovick (ou algo parecido) no SUBURBIO da cidade.
Iríamos fazer o CS* no apê de uma guria de lá mesmo, a Adela. Essa seria a primeira experiência dela em receber alguém e a nossa primeira em realmente se acomodar com o pessoal local – tínhamos ficado com Poloneses na Escócia.
Descemos na estação recomendada e nos deparamos com uma região muitíssimo mal sinalizada. Foi muito punk encontrar alguém para nos ajudar, e quem passava não entendia nada de inglês. O prédio era feíssimo, mais tarde ela nos contaria que este tinha sido construído no tempo do socialismo, blocões sóbrios, nada coloridos, vidros quebrados, elevador sem porta, paredes de papelão e arquitetura sombria. Ficamos aguardando e aguardando. Nada de ela chegar nem de atender a porta. Fomos ate um telefone público que nos respondia tudo em Tcheco, foi foda. Voltamos para a frente do prédio já pensando na possibilidade de ter que dormir na rua, ou na estação de metrô (fomos espertos em ter comprado os sacos de dormir). Sinceramente não fiquei desesperado, estava até esperando que algo desse nível fosse acontecer durante a viagem, tinha chegado a hora.
Quando a esperança já tinha acabado totalmente e esperávamos só porque ninguém tinha tomado a iniciativa de dar um basta na situação, aparece uma menina saindo do meio do portão negro do prédio. Era ela, a Adela. Tinha uma cara muito meiga e confiável. O que ocorreu foi um mal entendido, ela foi nos aguardar na estação de trem e nós fomos direto para a casa dela. Nada que 2 xicaras de chá tradicional Tcheco (com mel) depois não fosse esclarecido. Fomos muitíssimo bem recebidos, ela nos colocou no quarto e nos deu diversas dicas sobre a viagem.
A Adela era bem pobre, usava o metro sem pagar e eventualmente era pega e pagava a multa. Aprendemos com ela que ninguém pode ser multado mais de uma vez no mesmo dia, então se um dia tu fores multado em Praga às 7hs da manhã, por exemplo, pode ficar pegando o transporte sem pagar o resto do dia que não da nada! Sacou?
Acho que é isso, em breve volto com mais.


Os últimos momentos de trabalho não foram tão sublimes quanto eu imaginava que seriam. Fui criando na minha cabeça um "ultimo dia de trabalho", tinha roteirinho com ato final e tudo. Achei que eu ia querer sair da cantina e dar soquinhos no ar que nem Rocky Balboa fazia no momento apoteótico dos seus treinamentos antes das lutas em que ele sempre dava um jeito de ganhar. Ou ia pra frente do hospital e gritar "Freeeeeeedom" que nem um cidadão de face pintada fez uma vez de cara a cara com o numeroso exército inimigo. De repente não sai tão feliz de lá porque me sentia muito produtivo, financeiramente, dentro deste emprego. Dizem que agente vai emburrecendo quando trabalha nesse ramo por muito tempo, mas foi temporário. Valeu a experiência. Quase nove meses trabalhando lá pude aprender bastante coisa. Vou manter essa minha metamorfose ambulante de conhecer um pouquinho de cada área porque ate agora acho que ta dando resultado. Já trabalhei em empresa privada, empresa familiar e associação. Agora é voltar pro Brasa e tentar achar algum estágio no serviço público porque ainda não conheço bem como o lance funciona por lá.
Ta beleza, fiz esse teatrinho de: "vou sentir saudades de trabalhar aqui". Obrigatório sempre que saímos de uma determinada organização, independente de ser verdade ou não. Mas tenho que admitir que apesar de não ter saído "nas nuvens" do estabelecimento comercial
Coffe Dock, saí cantarelando
Free as a Bird dos
Beatles e senti um ar mais oxigenado entrando nos pulmões. OXIGENIO PURO! Que nem diria meu pai. O cheirinho das esquinas de Dublin, no caminho entre trampo e meu apê, tava mais porto-alegrense do que nunca. Afinal, o emprego era o vínculo mais oficial com o país que eu tinha. Agora sou apenas alguém que mora em Dublin sem um propósito forte. Na boa, curtindo.
No mais é isso. Depois de amanhã começamos a viagem, uma tremenda escassez de couchsurfing, tendo que
bookar hostel a bangú. Foda-se, o importante é que a trip vai sair, e no fim das contas a grana foi calculada considerando que fossemos pagar acomodação, azar!
PS.: Wikipédia mente!!! Dizem que em Dublin faz em média 20 graus em Maio... Sai daí louco! Foi frio pra caralho.

É amigos, este blog não se resume apenas a lamúrias sentimentais e relatos cotidianos de um pobre coitado em um país distante. Espero contribuir com alguma informação útil para os meus leitores (se é que ainda estão se bandeando por esta querência).
O sistema de auxílio aos cidadãos irlandeses é bem falho, deixando muita brecha pra quem quer apenas mamar nas fartas tetas do governo. Desde que comecei a trabalhar achei estranho o fato de minhas colegas irlandesas trabalharem apenas Part-Time (20h por semana) quando poderiam facilmente conseguir um contrato Full-Time (40h por semana) e ganhar o dobro, óbvio. Presumi que elas tinham familia com grana e que não precisavam se matar trabalhando. Mas a ingenuidade foi muita ao pensar isso. Na verdade elas são umas
Knackers* que aproveitam os benefícios que o governo irlandes disponibiliza aos "desafortunados" que trabalham apenas 20h por semana. Dentre os benefícios estão: Menor contribuição com impostos, acesso gratuito a saúde e blá blá... No final das contas isso tudo desestimula quem quer trabalhar duro porque a diferença real de salário entre os que trabalham full-time e part-time fica muito pequena. A questão dos incentivos deveria ser revisada nesse sistema. Outra coisa que acontece é a diminuição de irlandeses nos altos níveis hierárquicos das empresas. Por exemplo, onde eu trabalho, todos os supervisores que tive ate agora foram de países como: Lituânia, Índia, Brasil e Espanha. Isso porque as empresas cobram que os funcionários no comando façam full-time, é claro. Dentro dessa realidade, os irlandeses ficam estagnados numa determinada camada operacional de uma empresa e os estrangeiros tomam conta de tudo isso. O que sustenta esse ciclo é o dinheiro que os estrangeiros pagam de impostos ao governo. Palhaçada!
E tem mais. O professor do André (que é irlandes) contou casos de amigos dele que estão no
Dole, que é o seguro desemprego deles, há muito tempo. Tudo isso num esquema bizarro. Eles enviam currículos pela internet para empregos para os quais não são qualificados e não tem nenhuma chance de conseguir. Recebem uma carta (um comprovante) constando que não foram bem sucedidos na tentativa e apresentam esse documento mensalmente ao governo para continuarem recebendo a grana. Esses caras ficam o dia inteiro jogando videogame e sendo sustentados pelo governo. Esse seguro consiste em mais de 200 euros por semana mais o aluguel do lugar onde o cidadão irlandes mora. Mais do que o suficiente pra viver numa boa. Li esses tempos no jornal que o
Dole é considerado generoso demais por especialistas.
Lembrando que os dados usados para fazer essa análise não têm fonte 100% confiável (até porque esse tipo de coisa é bem complicada em qualquer país do mundo).
*Irish term of affection for general scum (low lifes). Originally originating from a term of reference for travellers. But nowadays covering whole spectrum of degenerates.

Na memória aquela lembrança desfocada, como aquela chama desprotegida que, trêmula, tenta ficar acesa no meio de um crepúsculo. Enxurrada de experiências que vai diluindo os antigos hábitos. Ainda há uma chama. Aquilo que é socialmente tido como rotina, uma coisa ruim, vai perdendo o seu sentido original na medida que percebo que a vida consegue se adaptar a uma rotina e uma rotina pode ser uma vida. Hão de existir os que não criam raízes, os que a nada se apegam. Mas já começo a saber o tamanho da minha força, sinal de vida adulta. Talvez não mais o adolescente que pode tudo contra todos. Ainda há uma chama. Vejo aquele tempo em que uma quinta-feira era uma quinta-feira, uma sexta era uma sexta, e cada um desses dias tinha um significado cíclico muito intenso. Apesar de tudo, no meio das intrigantes incertezas, consigo montar os pedaços de um quebra-cabeças, dar uma baforada e uma polida, e afirmar algumas suspeitas que eu tinha. A ausência de chão vai minando, aos poucos, a cabeça dos que se aventuram além dos horizontes. É que nem tentar ver um pôr-do-sol de cabo a rabo. O processo é lento e sempre acabamos achando alguma coisa pra se distrair em seu curso, mas, repentinamente, que nem fogos de artifício estourando abruptamente para nos assustar e se desmanchando com graça como para que nos confortar, dou-me conta do significado da palavra saudade. Ainda há uma chama.
Over
22:29
| Author:
Baile Átha Cliath
Tempos de solidao finalizados.
Tardes com relogio preguicoso e finais de semana acabando em temporada 2 do "Friends" pra treinar o listening nao mais estao no cardapio. Depois de alguns mal entendidos, gracas aos odiosos franceses, andrezinho chegou na area. O garoto tava confuso, me viu no saguao do aeroporto de camiseta do inter e sorriso na cara, mas de tao atordoado da jornada nao conseguiu me reconhecer. Depois de perceber isso, resolvi sadicamente aproveitar a oportunidade pra ver a cara da crianca em ficar mais alguns segundos desamparada no saguao do aeroporto. Ate pra imigracao liguei, duas vezes, pra averiguar o porque da demora dele. Ja na hora de pedir o taxi, do aeroporto pra cidade, tomei nos dedos por nao entender o que o tiozinho da fila dos taxis tava falando e o andre entendeu. Me caguei. Po o cara chegou agora e ja se ligou no sotaque irlandes, me fudi. Mais adiante vi que foi um tiro de sorte, sorte de iniciante.
Anyway
Aninha ja arranjou todos os detalhes da chegada de 4 garotas em territorio 34, Ushers Quay, Flat #. Fato que motivou o sentimento de estou em casa. Sentimento de intercambio usual em terras distantes. Eu nao tinha me atentado pra esse fato, mas com o terceiro dia do andre na area chegando ao fim me dei conta de uma coisa: Ate com uma pessoa que agente conhece bastante, quando o ambiente muda, agente consegue captar uma vibe diferente. Aconteceu isso entre eu e a emi tambem, como foi dito no post anterior.
No mais, tenho me dado bem mal nos ultimos tempos, hehehe. Tenho dado uns azares sem precedentes. O ultimo foi o corte geral de horas da galera no trabalho. Mas quanto a isso resolvi nao me stressar. Foda-se. Essa semana nem trabalharei e pelo menos agora tenho a conviccao de que devo procurar um outro trampo. De inicio isso desmotivou, mas por outro lado tenho, de novo, um desafio pela frente, alguma coisa pra me empurrar pra frente e pra fazer o meu melhor.
Foi mal ae maniho, mo sussa. Falei isso pra quebrar a formalidade do post. Depois de :"me empurrar pra frente e pra fazer o meu melhor." Me senti na obrigacao de dar uma equilibrada no lance.
Ano Novo ta ai, combinei de jantar com a galera da casa no ape e depois verei o que vai rolar.
Onten senti um lance diferente. Pela primeira vez senti falta da Emilia. Ate a hora de ela ir embora eu tava tri feliz por ela, sem rolar esse lance de inveja por ela estar indo e eu ficando, nao mesmo! E achei que, devido ao fato de agente nao ficar grudado o tempo inteiro aqui, nao sentiria tanta falta da presenca dela por estas bandas. Porque no fim das contas agente se via 2 ou 3 vezes por semana no maximo, e considerando a distancia entre nossos apes, isso e bem pouco. Mas eu tava errado. Bem ou mal, praticamente todo dia agente se falava por telefone perguntando se tudo tava legal, como tinha sido o dia, e fora as 305 vezes que eu ligava oferecendo comida que sobrava la da cantina pra ela, hehe. Desenvolvemos uma relacao bem legal aqui. Acho que amadurecemos nossos lacos. Talvez por ambos temos vidas adultas por aqui e tal, sei la...
Hora cultura:
Achei que ja tinha postado isso aqui antes, mas dei uma vasculhada e nao achei nenhuma referencia. Entao la vai:
A bandeira da Irlanda e composta daquela maneira, com as cores larana e verde separadas por uma faixa branca, para simbolizar a paz entre os protestantes (larana) e os Republicanos catolicos (verde). Durante a guerra civil, haviam os que defendiam o tratado com os ingleses (que estabeleceu a Irlanda do Norte como territorio britanico) e estavam cansados de guerra, e os que defendiam a uniao total do territorio da ilha em um so pais - o que acarretaria em mais guerras com os britanicos. Tem muito mais coisa por traz disso, mas isso e um comeco, uma introducao a historia irlandesa. Assistam "Michael Collins" o filme!