
Hoje, depois de homologar mais de 3 protocolos junto a Orange (empresa telefônica da qual estamos contratando o serviço de internet), veio aqui um pessoal técnico e fez uma anarquia. O plano era deixar tudo funcionando, não deu certo infelizmente.
É necessário puxar uma linha nova e solicitar isso junto ao proprietário. Já o chamamos e deixamos tudo engatilhado mas visto que essa novela já se estende por mais de 2 semanas, fica a sensação de que nunca teremos uma internet boa que seja somente nossa.
Por hora o vizinho concordou em dividir a conexão dele até que o problema seja resolvido. A conexão é bem boa.
Veremos...


É difícil escolher por onde começar quando tanta coisa aconteceu. Esses primeiros 14 dias na Espanha foram muito intensos. Neste mesmo período inicial em Dublin, eu ainda estava na etapa de conhecer a cidade, pegar um mapa e um pacote de cookies a tira colo e sair explorando alguma região da cidade que não tinha ido ainda, descriteriosamente.
Esse tipo de comparação vai ser muito frequente daqui pra frente, entre Dublin e Sevilla. Natural que eu analise essa nova experiência com a única referencia de cidade europeia que eu já tenha morado.
Entre as tantas coisas que aconteceram nestes primeiros dias estão: busca por apartamento, assinatura de contrato de apartamento, noite, ida a jogo de futebol – avantti Betis!, estabelecimento de muitos novos contatos, busca por flatmate, ida a espetáculo de Flamenco, tentativas de ficar borracho – todas em vão, sou imune a Espanha -, bate e volta para Cordoba, banho e massagem árabe, bate e volta para Granada, esqui na Sierra Nevada, quedas de esqui na Sierra Nevada, dores constantes pelas quedas no esqui de Sierra Nevada e etc. hehehe. Acho que consegui me lembrar da maioria das coisas, loucura.
É assim que eu começo a escrever sobre minhas aventuras e desventuras na Espanha. Com a expectativa de que em 6 meses será feito muito mais do que em um ano em Dublin.

Na memória aquela lembrança desfocada, como aquela chama desprotegida que, trêmula, tenta ficar acesa no meio de um crepúsculo. Enxurrada de experiências que vai diluindo os antigos hábitos. Ainda há uma chama. Aquilo que é socialmente tido como rotina, uma coisa ruim, vai perdendo o seu sentido original na medida que percebo que a vida consegue se adaptar a uma rotina e uma rotina pode ser uma vida. Hão de existir os que não criam raízes, os que a nada se apegam. Mas já começo a saber o tamanho da minha força, sinal de vida adulta. Talvez não mais o adolescente que pode tudo contra todos. Ainda há uma chama. Vejo aquele tempo em que uma quinta-feira era uma quinta-feira, uma sexta era uma sexta, e cada um desses dias tinha um significado cíclico muito intenso. Apesar de tudo, no meio das intrigantes incertezas, consigo montar os pedaços de um quebra-cabeças, dar uma baforada e uma polida, e afirmar algumas suspeitas que eu tinha. A ausência de chão vai minando, aos poucos, a cabeça dos que se aventuram além dos horizontes. É que nem tentar ver um pôr-do-sol de cabo a rabo. O processo é lento e sempre acabamos achando alguma coisa pra se distrair em seu curso, mas, repentinamente, que nem fogos de artifício estourando abruptamente para nos assustar e se desmanchando com graça como para que nos confortar, dou-me conta do significado da palavra saudade. Ainda há uma chama.
Opa, lá vai. (foto do monumento à guerra, Phoenix Park)
Todas as sextas-feiras dos próximos seis meses não terei aula. Fato confirmado essa semana passada. Segunda-feira (hoje) não estou tendo aula porque é feriado. As observações feitas ate aqui seriam para soar muito bem em uma situação normal, mas o fato é que com a escola eu tenho uma rotina, tenho um horário para acordar, um intervalo para ficar esperando ansiosamente e etc. Sem isso, fico a deriva. Hoje foi o primeiro dia que acordei sem ter absolutamente nenhum roteiro a seguir, a não ser por fazer um arroz que prometi pra mim mesmo (meu primeiro arroz).
Onten fui tipo em um festival/encontro da cultura brasileira. Olhei no googlemaps e me iludi de que o lugar era viavel de ir a pé, mas na prática foi complicado. Caminhei tanto que cheguei numa auto-estrada.... Lá pelas tantas até placa sinalizando Dublin para o lado oposto que eu caminhava estava aparecendo. Depois de mais ou menos uma hora de caminhada cisplatina, perguntei se estava no caminho certo para um transeunte, o mesmo disse que estava longe e me recomendou pegar um ônibus. Caminhei por mais meia hora e perguntei pra outra pessoa, a mesma resposta me foi dada, que estava longe e que era necessário pegar ônibus. Mas eu não ia pegar bus depois de ter caminhado uma hora e meia. Fudido, fudido e meio, resolvi enfiar os pés na jaca bem fundo e caminhar o quanto fosse necessário. Comecei a me apavorar porque eu já estava passando por grandes condomínios tipo os que tem em POA, bem afastados. Mas aqui, conforme a Emília tinha me dito, quem tem grana vai morar nessas cidades satélites que são bem independentes em relação ao centrão da cidade, nesse local onde eu estava indo (Blancherdstown) tinha um shopping grande, do tamanho do Iguatemi, para uma comunidade que me parecia ser relativamente pequena. Para as mais de 4 pessoas que eu ia perguntando ao longo do caminho, todas diziam a mesma coisa, pegar bus! Chegou uma hora que tinha um entroncamento confuso (isso quando eu já estava a mais ou menos 2 horas e meia peregrinando), me perdi, tive que chamar um ciclista e ele me indicou o caminho. Finalmente eu estava perto (pelo menos ele não falou em ônibus), mais meia hora e estava lá. Foi muito foda de achar, choveu um monte no caminho e eu não tinha guarda-chuva, ficava em baixo de arvores na beira da auto-estrada esperando a saraivada de pingos cessarem. Levei tudo na esportiva, a título de experiência! Eu não combinei com ninguei que eu conhecia de ir. Fui no peito e na raça. Chegando lá, 90% das pessoas falavam português. Tinha um campeonato de futebol com times da romênia, irlanda brasil e etc... Tudo isso temperado com aquela sucessão de pagode-forró, forró-pagode. Até aí tudo bem, tinha feijoada (8 eureta um pratinho miserável, me caguei), cheirinho de churrasco, Skol, uma legítima farofada brasileira. Mas aos poucos fui me sentindo acuado. Não era o tipo de pessoas que eu esperava ver. Era: umas gurizainha menor de idade pra cima e pra baixo dando risadinha, uns piá vestido de rapper, umas mulher muito bagaceira.... Bah sei lá, me senti numa festa junina do colégio mais chinelo de porto alegre. Preconceito meu. Achava que a comunidade brasileira na Irlanda não era que nem a comunidade brasileira do Brasil. Esperava uma galera estudante, mas eu tava errado. Fiquei entretido com o campeonato, tava interesante ver os jogos. Fiquei lá umas 3 horas e fui embora. Na saída encontrei com a Carol lá da adm. Acho que ela não tava muito afim de papo, daí fui embora de ônibus, claro!
Hoje fiz meu primeiro arroz. Alguns acidentes de pergurso aceitáveis e tcharã. Lá estava ele, bem separatinho, temperado com cebola, alho e sal... Perfeito! O lance que dizem que cozinhar é terapeutico e tal, talvez seja verdade mesmo. Acho legal saber que tu ta fazendo teu próprio rango. O foda é ter que cozinhar todo dia que nem eu to fazendo. Por isso, fiz porção pra uns 3 dias!!! Da-lhe!!! Bem cauezinho!!! Mãe, não te ilude com essas últimas declarações que não to nas pilhas de continuar cozinhando todo dia quando eu voltar pra POA. Ahh, outra coisa foda de cozinhar pra sí mesmo é que: tu tem que lavar a louça pra sí mesmo, secar a louça pra sí mesmo e colocar as coisas de volta no lugar pra sí mesmo, ta louco!
Bueno. Hoje é o último dia que tenho o LUAS (trem) liberado pra mim pelo ticket que a Emília me deu... É minha chance de conhecer o extremo sul da cidade, mas to com um dor nas pernas que vou dar uma pensada. Valeu!